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sexta-feira, 8 de junho de 2012

A Banda - Nara Leão (1966)

Estava à toa na vida,
O meu amor me chamou
Pra ver a banda passar
Cantando coisas de amor

A minha gente sofrida
Despediu-se da dor
Pra ver a banda passar
Cantando coisas de amor

O homem sério que contava dinheiro, parou
O faroleiro que contava vantagem, parou
A namorada que contava as estrelas
Parou para ver, ouvir e dar passagem

A moça triste que vivia calada, sorriu
A rosa triste que vivia fechada, se abriu
E a meninada toda se assanhou
Pra ver a banda passar cantando coisas de amor

Estava à toa na vida,
O meu amor me chamou
Pra ver a banda passar
Cantando coisas de amor

Minha gente sofrida
Despediu-se da dor
Pra ver a banda passar
Cantando coisas de amor

O velho fraco se esqueceu do cansaço e pensou
Que ainda era moço pra sair no terraço e dançou
A moça feia debruçou na janela
Pensando que a banda tocava pra ela

A marcha alegre se espalhou na avenida e insistiu
A lua cheia que vivia escondida surgiu
Minha cidade toda se enfeitou
Pra ver a banda passar cantando coisas de amor

Mas para meu desencanto o que era doce acabou
Tudo tomou seu lugar depois que a banda passou
E cada qual no seu canto, em cada canto uma dor
Depois da banda passar cantando coisas de amor

Depois da banda passar cantando coisas de amor
Depois da banda passar cantando coisas de amor
Depois da banda passar cantando coisas de amor...

Chico Buarque





quinta-feira, 10 de maio de 2012

A Estrada e o Violeiro - Sidney Miller e Nara Leão (1967)

Sou violeiro caminhando só,
Por uma estrada caminhando só,
Sou uma estrada procurando só
Levar o povo pra cidade, só

Parece um cordão sem ponta
Pelo chão desenrolado
Rasgando tudo que encontra,
A terra de lado a lado

Estrada de Sul a Norte,
Eu que passo, penso e peço
Notícias de toda sorte

De dias que eu não alcanço
De noites que eu desconheço,
De amor, de vida e de morte

Eu que já corri o mundo
Cavalgando a terra nua
Tenho o peito mais profundo
E a visão maior que a sua

Muita coisa tenho visto
Nos lugares onde eu passo
Mas cantando agora insisto

Neste aviso que ora faço
Não existe um só compasso
Pra contar o que eu assisto

Trago comigo uma viola só,
Para dizer uma palavra só
Para cantar o meu caminho só,
Porque sozinho vou à pé e pó

Guarde sempre na lembrança
Que esta estrada não é sua
Sua vista pouco alcança,
Mas a terra continua

Segue em frente, violeiro,
Que eu lhe dou a garantia
De que alguém passou primeiro

Na procura da alegria,
Pois quem anda noite e dia
Sempre encontra um companheiro

Minha estrada, meu caminho,
Me responda de repente
Se eu aqui não vou sozinho,
Quem vai lá na minha frente?

Tanta gente, tão ligeira,
Que eu até perdi a conta
Mas lhe afirmo, violeiro,

Fora a dor que a dor não conta
Fora a morte quando encontra,
Vai na frente um povo inteiro

Sou uma estrada procurando só
Levar o povo pra cidade só
Se meu destino é ter um rumo só,
Choro em meu pranto é pau, é pedra, é pó

Se esse rumo assim foi feito,
Sem aprumo e sem destino
Saio fora desse leito,
Desafio e desafino

Mudo a sorte do meu canto,
Mudo o Norte dessa estrada
Em meu povo não há santo,

Não há força, não há forte
Não há morte, não há nada
Que me faça sofrer tanto

Vai, violeiro, me leva pra outro lugar
Que eu também quero um dia poder levar
Toda gente que virá, caminhando,
Procurando, na certeza de encontrar

Vai, violeiro, me leva pra outro lugar
Que eu também quero um dia poder levar
Toda gente que virá, caminhando,
Procurando, na certeza de encontrar...

Sidney Miller













domingo, 25 de dezembro de 2011

Consolação - Nara Leão (1964)

Se não tivesse o amor
Se não tivesse essa dor
E se não tivesse sofrer
E se não tivesse chorar
Melhor era tudo se acabar
Melhor era tudo se acabar

Eu amei, amei demais
O que eu sofri por causa de amor
Ninguém sofreu
Eu chorei, perdi a paz
Mas o que eu sei
É que ninguém nunca teve mais
Mais do que eu

Baden Powell / Vinicius de Moraes