Diz que eu não sou de respeito
Diz que não dá jeito
De jeito nenhum
Diz que eu sou subversivo
Um elemento ativo, feroz e nocivo
Ao bem-estar comum
Fale do nosso barraco
Diga que é um buraco
Que nem queiram ver
Diga que o meu samba é fraco
E que eu não largo o taco
Nem pra conversar com você
Mas fica, mas fica ao lado meu
Você sai e não explica
Onde vai e a gente fica
Sem saber se vai voltar
Diga ao primeiro que passa
Que eu sou da cachaça
Mais do que do amor
Diga e diga de pirraça
De raiva ou de graça
No meio da praça, é favor
Mas fica, mas fica ao lado meu
Você sai e não explica
Onde vai e a gente fica
Sem saber se vai voltar
Diz que eu ganho até folgado
Mas perco no dado
E não lhe dou vintém
Diz que é pra tomar cuidado
Sou um desajustado
É o que lhe agrada, meu bem
Mas fica, mas fica, meu amor
Quem sabe um dia
Por descuido ou poesia
Você goste de ficar
Diz que eu não sou de respeito
Diz que não dá jeito
De jeito nenhum
Diz que eu sou subversivo
Um elemento ativo, feroz e nocivo
Ao bem-estar comum
Chico Buarque
1967 - MPB-4
"Amo a música. Acredito na melhora do planeta. Confio em que nem tudo está perdido. Creio na bondade do ser humano. E percebo que a loucura é fundamental. Viver é ótimo!" Elis Regina
Mostrando postagens com marcador MPB-4. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador MPB-4. Mostrar todas as postagens
sexta-feira, 26 de outubro de 2012
sábado, 7 de abril de 2012
Minha História (Gesubambino) - MPB-4 (1971)
Ele vinha sem muita conversa, sem muito explicar
Eu só sei que falava e cheirava e gostava de mar
Sei que tinha tatuagem no braço e dourado no dente
E minha mãe se entregou a esse homem perdidamente
Ele assim como veio partiu não se sabe pra onde
E deixou minha mãe com o olhar cada dia mais longe
Esperando, parada, pregada na pedra do porto
Com seu único velho vestido, cada dia mais curto
Quando enfim eu nasci, minha mãe embrulhou-me num manto
Me vestiu como se eu fosse assim uma espécie de santo
Mas por não se lembrar de acalantos, a pobre mulher
Me ninava cantando cantigas de cabaré
Minha mãe não tardou alertar toda a vizinhança
A mostrar que ali estava bem mais que uma simples criança
E não sei bem se por ironia ou se por amor
Resolveu me chamar com o nome do Nosso Senhor
Minha história e esse nome que ainda hoje carrego comigo
Quando vou bar em bar, viro a mesa, berro, bebo e brigo
Os ladrões, as amantes, meus colegas de copo e de cruz
Me conhecem só pelo meu nome de menino Jesus
Dalla / Pallotino / vrs. Chico Buarque

sexta-feira, 6 de abril de 2012
Deixa Estar - MPB-4 (1970)
Deixa estar, deixa estar
Não vai perder por esperar
Deixa estar
É só pra ver o que vai dar
Palavra de homem
Precisava te ver passar
As privações por que passei
Te ver gastar
Os lenços muitos que chorei
Irias ver o que era dor de uma saudade
Roendo a gente
Talvez aí tu ias dar valor àquela amizade
Que assim sem mais nem menos desprezaste
Ai, que maldade
Então tu ias dar valor àquela amizade
Que assim sem mais nem menos desprezaste
Deixa Estar
Deixa estar, deixa estar
Não vai perder por esperar
Deixa estar
É só pra ver o que vai dar
Palavra de homem
Precisava te ver passar
As privações por que passei
Te ver gastar
Os lenços muitos que chorei
Irias ver o que era dor de uma saudade
Roendo a gente
Talvez aí tu ias dar valor àquela amizade
Que assim sem mais nem menos desprezaste
Ai, que maldade
Então tu ias dar valor àquela amizade
Que assim sem mais nem menos desprezaste
Deixa Estar
Ai Que Maldade...
Hermínio Bello de Carvalho / Maurício Tapajós
segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
Canção de Não Cantar - MPB-4 (1967)
Guarda o meu violão
Já nos faltam canções
São muitas as razões que temos pra cantar
Mas, hoje, amor melhor é não cantar
Enquanto houver em nós vontade de fugir
De um canto que na voz não vai saber mentir
Meu canto para ser um canto certo
Vai ter que nascer liberto, e morar no assovio
Do ocupado e do vadio
Do alegre e do mais triste
Só há canto quando existe muito tempo e muito espaço
Pra canção ficar, se eu passo, e dizer o que eu não disse
Ai, que bom se eu ouvisse o meu canto por aí
Ai, que bom se eu ouvisse o meu canto por aí
Meu canto para ser um canto certo
Vai ter que nascer liberto, e morar no assovio
Do ocupado e do vadio
Do alegre e do mais triste
Só há canto quando existe muito tempo e muito espaço
Pra canção ficar, se eu passo, e dizer o que eu não disse
Ai, que bom se eu ouvisse o meu canto por aí
Por isso, um violão prefere emudecer
E vem pedir perdão por não poder cantar
Que, hoje, amor, melhor é não cantar
Sérgio Bittencourt

Assinar:
Postagens (Atom)

